
Por outro lado, este tipo de conversas levam sempre o mesmo rumo. O entrevistado é que parece ter o alinhamento da entrevista, respondendo quando e como quer às perguntas mais insuspeitas e desviando-se às mais desconfortáveis.
Sócrates em particular é tenebroso.
Com a sua colocação de voz, o seu sorriso falso e a sua postura de “jovem líder europeu”, corresponde a uma imagem tão excessivamente trabalhada, que não transmite a mínima segurança.
Pessoalmente, nunca esperei um desenrolar de três anos tão maus. Não conhecia politicamente Sócrates, tirando o seu historial de membro de governos anteriores. Mas dado o seu papel secundário – e como estamos sempre com os olhos mais abertos para as figuras centrais – este ministro pareceu-me até um gajo (ok, dos mais à direita do PS mas) aceitável.
Como eu me enganei! Mas como!
Uma coisa não deixa de me surpreender, contudo! Como é que uma pessoa, com um passado tão duvidoso, tão cheio de vigarices e falcatruas, tanto na vida académica como na profissional, se arrisca a candidatar-se a um cargo como o de primeiro-ministro. É achar-se em terra de cegos, com um grande olho!
Noutros países, Sócrates não passaria da fase eleitoral. Todas estas leis e regras que “dobrou” já eram conhecidas antes de começar a campanha sequer. Mas estamos em Portugal... E sei que o discurso é sempre positivo. Tudo vai bem. Nunca esteve melhor.
Foi por isso quem nem sequer vi a entrevista de ontem.
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